Hoje.
Já perdi as contas de quantas vezes vi a porta fechada. Já perdi as contas de quantas vezes senti apunhaladas em minhas costas enquanto carregava o fardo do que me apunhalou. A dor muda as pessoas! Não sei se pra melhor ou pior… Cada dia que passa, tenho mais pena e um estranho amor pelos seres humanos. Não quero abriga-los em meu coração, simplesmente não sinto nada. O lugar que antes abrigava uma espécie de raiva, hoje é vazio. Em reforma. Resolvi transformar em algum lugar bonito para abrigar alguém que valha a pena nesse mundo vil. Não tenho mais as primeiras opções a oferecer, primeira transa, primeiro beijo, primeiro amor… Quem sabe primeiro a ocupar um lugar bom no meu coração que eu nem sabia que conhecia.
Não sei se posso dizer se essa é a razão de levantar todos os dias nesses tempos difíceis, aonde cada dia que passa você apenas descobre a verdadeira face das pessoas e se decepciona, busca emprego pra sustentar algo que você não necessita e busca alguém que talvez nem exista.
Tenho vivido anos em meses, amadurecido o bastante pra me tornar uma pessoa racional e amparar aqueles que buscam crescer comigo e ao meu lado. Não guardo dentro de mim nenhuma espécie de rancor… Em troca, procuro ser mais leal aqueles que sei que são também comigo. Talvez o segredo seja viver um dia de cada vez.
Cada dia uma benção, cada dia um protagonista novo, cada dia uma surpresa, seja ela ruim ou boa. Desde que mesmo não obtendo o que quero, o dia não seja vazio. Que até mesmo os dias em que passar na minha cama, refletindo sobre minha existência nesse mundo seja de engrandecimento espiritual.
Mas, que os anos acrescentados nos meses da minha vida não me façam desistir. “Já tive ódio demais, hoje eu só busco amor.” E hoje eu sei, que quando aprendi quando criança, que o amor sempre vence, era verdade.
2:40 pm • 27 avril 2012
people like book, book like people.
Pessoas são como livros. Divididas em capítulos, páginas e histórias… Quando você diz que gostou de um livro, e ele é seu favorito é porque você o leu inteiro. Pode não ter gostado dos primeiros capítulos, demorado para finaliza-los, se apaixonado mesmo pela história a partir do meio. Mas, nunca conheci ninguém que julgasse um livro seu favorito o começando pelo meio. Logo, se pessoas são como l…ivros, me choca algumas que “deixam de amar” as outras porque as conheceram no capítulo 10, mas, leram sem querer (ou muitas vezes, por querer) o capítulo 3 e se indignaram. Uma frase que um amigo meu me disse uma vez e sempre me dá muita razão; “quando a gente ama, a gente gosta sim das qualidades, até as admira. Mas, a gente ama mesmo os defeitos.” Você pode sim não gostar do capítulo 3 e 4, mas, deve compreender que foram eles que ajudaram o 10 e 11 a serem escritos. E em vez de usar sua força para julgar os capítulos passados, use para construir o mesmo capítulo 12 em ambos. Passado se fosse bom não era propriamente dito passado, e não acreditar na mudança de alguém é o mesmo que dizer que seu amor não fez diferença nenhuma na vida de tal pessoa. Caso ainda tiver dúvida… É só pensar em um fato muito simples, livros bons não são previsíveis. E um fato ainda mais óbvio sobre eles é, a primeira página nunca é igual a última. Pelo menos a numeração irá mudar, você pode ter certeza.
10:19 pm • 8 mars 2012
Joguei os textos, os presentes, os números, a saudade, você fora. Mas, o sentimento ficou! Eu tento, em vão, alimentá-lo com alguns retalhos do que um dia foi um tecido inteiro. As músicas, as memórias ficaram. Palavras presas de forma desorganizada em minha mente também. Elas que antes eram tão vivas e procuravam descrever momentos que queria viver. Hoje me sinto mais madura, porque vivi muito desses momentos. Mas, as palavras se prenderem em uma espécie de teia de aranha e não desenvolvem. Assim, como a saudade se prendeu! O orgulho permaneceu. Não tenho mais impulsos. Nem do branco, nem do preto. Não tenho mais nada para jogar fora e te maldizer. Também não tenho forças o bastante para dizer que sinto sua falta e te bendizer. Foi como se tivesse existido, mas, há muito tempo atrás. Como se tivesse roubado algo de mim mesma e eu tentasse reencontrar em vão! Não quero que você volte. Estou bem sem você… Apenas devolva minha visão fútil da vida, meu jeito mesquinho de amar e usar as pessoas. Me deixe novamente sem expectativas de encontrar alguém perfeito. Sem vontade de acreditar em paraíso astral. Sem vontade de me preservar. Preservar pra que? Ser foda pra que? Tenho sido tudo isso pra mim, pois cansei de procurar pessoas que me completem, então, tenho tentado me completar por mim mesma. Minha última tentativa de amar outro ser humano e me sentir completa de novo, mesmo que seja de modo totalmente narcisista. Confesso, o tratamento não tem dado efeito. Tem apenas me tornado mais amarga, mais chata, mais antiga, mais falsamente amorosa. Eu até perdoei e ofereci um abraço aos meus inimigos como você queria, sabia? Tenho amado mais meus irmãos, vivido mais em família, agradecido e buscado mais a Deus. Mas, ainda falta você, ou o que você roubou de mim. Sei que você não utiliza, então, apenas devolva pra eu poder jogar fora o que ainda está preso nessa teia de aranha e eu possa voltar a ser como antes. Porque eu quero ser como antes, ter aquela falsa angustia, aquela falsa tristeza. Simplesmente deitar e chorar. Eu não choro mais, sabia? E olha que tento, tento arduamente. Mas, as lágrimas secaram, deve ser essa a real tristeza. Procuro a perfeição, tenho lido mais, estudado mais, feito regime, dormido mais. Procuro mais, porque comecei a amar menos. Mas, não quero viver menos. Então, tento me completar procurando a perfeição, pois é isso que os virginianos fazem. Mas, o venus em libra continua aqui. Esperando o cumprimento daqueles planos de casamento, de filhos, de futuro. Meu lado racional sabe que totalmente em vão, mas, o sentimental liga? Desliga! Totalmente desligado para toda e qualquer pessoa. Só eu sei que ele ainda existe, mesmo que de forma quase nula. Quero enterra-lo, assim que enterrar você. Como disse na primeira frase, já joguei todas as coisas fora, já te dei o mesmo tratamento dos outros… Por que ainda insiste em ficar?
1:49 am • 14 février 2012
Confissões da Saudade.
Sinto saudade da sua voz, do seu jeito de me chamar de louca e rir dos meus gostos excêntricos. Sinto saudade de quando você planejava nosso futuro incerto sobre o presente mais incerto ainda. Sinto saudade de quando você me abraçava sobre o seu peito e tudo parecia perfeito. Sinto saudade de quando me deitava sobre suas costas e admirava o seu rosto o vendo dormir. Sinto saudade dos nossos papos virginianos e das nossas brincadeiras infantis geminianas. Sinto saudades de ouvir suas músicas sem sentir nada, porque antes eu não sabia que elas eram suas. Sinto saudades de quando saia pra rua e imediatamente te ligava, porque não queria que ninguém no silêncio de algum cômodo nos ouvisse. Sinto saudade de ir a uma entrevista de emprego e te ligar em seguida, falando que agora ia ter dinheiro pra sustentar nossos filhos. Sinto saudade da sua cara de bobo quando eu te provocava. Sinto saudade da sua arrogância quando você me provocava. Sinto saudades da sua possessividade, do seu ciúme, e da forma como você falava que mandava em mim. E você o fazia! Sinto saudade dos finais de semana ao seu lado, que embora muito simples, sempre foram os mais especiais. Você tinha razão sobre quando o momento é especial, ele o é pelas pessoas que o fazem, e não pela roupa que elas vestem e afins. Também sinto saudades de quando você chegava repentinamente na minha casa, e me via sem maquiagem, de pijama e mesmo assim gostava de mim. Sinto saudades das suas piadas sem graça, dos seus raps e do seu jeito nerd. Sinto saudades apenas de você… Sentia saudades de ver suas ligações e não as atender. Agora eu sinto saudades de te ligar de volta inventando alguma desculpa estúpida como se fosse possível fugir de você. Eu tentei, meus melhores amigos sabem que eu tentei, Deus sabe que eu tentei… Tentei beijos, abraços, fiquei sem chorar, chorei, escrevi, não escrevi. Fiz ioga, li vários livros aleatoriamente e até tentei criar dentro de mim um aquarianismo inexistente me preocupando com as crianças do Líbano. Mas, a verdade é que eu só ando preocupada em tirar o meu da reta, em parar de pensar em você e me preencher novamente. Parei de fumar, parei de beber, parei de amar, parei com qualquer coisa-sentimento-signo autodestrutivo. Mas, só ando mais destruída… E não é o ódio de você que me corrói. É o não consegui-lo que me mata.
11:29 pm • 26 janvier 2012
Antes, durante… E depois?
“Escuridão. Esgoto. Ruínas. Becos.”
Não ligo para qualquer coisa! Só quero beber, esquecer-se da minha cara, acender meu cigarro e ficar em paz. Se eu me lembro das pessoas? Como assim, elas merecem serem lembradas? Claro que eu amo meus amigos. Sou muito leal, me preocupo, demonstro afeto. Mas, acontece que eu tenho náuseas. E não é de expor para fora qualquer espécie de líquido, tenho náusea de ouvir sempre a mesma voz ou ver o mesmo rosto. Não, não é insensibilidade. Eu não gosto de quando acontece, mas, acontece… O que? Um dia vou encontrar alguém que vou querer pra sempre? Não acredito nisso! Já quis pra sempre muitas pessoas, mas, elas sempre atiram a primeira pedra e o muro do amor perfeito simplesmente desaba. Eu sei, não sou a madre Tereza, já errei muito. Mas, nunca errei a primeira vez, sabe? Eles sempre erram a primeira vez e eu não consigo construir mais, confiar mais… Acho que serei assim pra sempre. Eu gosto ser assim. Dona de mim, dos meus sentimentos. Sair soando let it be, e acordar de manhã me amando.
“Luz. Rios. Montanhas. Éden.”
Eu liguei pra ele e fiquei mais de duas horas no telefone. Ele tem a voz mais linda, o sorriso mais excêntrico e uma personalidade tão estranha quanto a minha. Se eu gosto dele? Gosto muito. Lembro-me dele o dia inteiro, em pequenos detalhes. Own, claro que ainda te amo! Amo todos os meus amigos, todas as pessoas… Até aprendi a pedir desculpas, sabia? É, eu pedi desculpas. Tirei qualquer peso das minhas costas, porque o peso que carrego de ama-lo já me é o suficiente. Você tinha razão! Lembra-se de quando me falou de eternidade e eu era cética? Então, hoje eu acredito. Acredito porque quero muito que dure. Enquanto for eterno e todas as poesias clichês que soarem aos meus ouvidos. O diferencial: ele não errou uma única vez. Se errar, eu não verei. Posso estar cega, mas, mesmo ele não me compreendendo, nem um pouco como todas as pessoas do mundo, ele me completa como nenhuma outra. E isso que importa, não é? Ele é dono de mim, dos meus sentimentos. Quero viver ao som de Sentimental e acordar de manhã o amando.
“Escuridão. Esgoto. Ruínas. Becos. Ou seria precipício?”
Não consigo me encontrar! Não consigo ser como antes e ter orgulho da minha própria personalidade. Cometo os atos antigos e não tenho a mesma falsa felicidade. Cometo os atos do período de luz, mas, falta a razão daqueles dias. O que eu faço? Não, eu não preciso de um abraço! Eu preciso de uma razão para viver que não seja a minha própria existência mórbida. Eu sei… Ainda tenho meus amigos e desconto neles minhas expectativas frustradas e procuro uma lealdade que não existe. Procuro uma felicidade que existiu um dia e não existe mais… Eu te pergunto de novo. E agora? Você se torna frio, calculista e passa o resto da vida existindo?
- Basicamente. E quando não puder ser forte… Você deve ser pelo menos humana.
11:26 pm • 26 janvier 2012
Ses.
Ela:
Se você tivesse me amado um terço do quanto você se ama, teria sido suficiente.
Era nublado, e chovia quase todos os dias. Meus dias preferidos! E isso era tão fascinante que achava, dentro de mim, numa espécie de certeza meio incerta que se as coisas fossem acontecer, seriam nessa temperatura. Eu teria aproveitado mais os dias de chuva, me molhando, estragando meu cabelo e minha roupa, mas, eu estava muito ocupada.
Amando você. E você também estava muito ocupado… Se amando.
Mudei meu cabelo, e no mesmo dia perguntei se você queria café. “Sim, quero.” Seco e frívolo, muito ocupado em seus projetos mirabolantes, pois você tem essa insatisfação crônica de nunca ser bom o suficiente. Já tinhamos dinheiro para sermos felizes, e você poderia aproveitar mais esses dias de chuva comigo, mas, não. Tentei então, te ajudar a ser bom o suficiente. Estudei a fundo todos esses planos, entrei em contato com pessoas que poderiam te ajudar. Não pude esperar até o resultado (vindo de você, tinha certeza que daria certo, comigo ou não), mas, eu sei que o obrigado não saiu de sua boca. Apenas uma tristeza estranha, como se tivesse descoberto minha existência e deixado de me amar pelo mesmo.
A decoração dourada da casa nunca deixou de brilhar, nunca deixei de te acordar, nunca deixei de me importar, te medicar e fazer tudo e mais um pouco do que precisasse. A sua frente nunca faltou nada que te fizesse olhar pra trás. As suas lágrimas sempre tiveram caminho certo sobre meus ombros, as suas roupas sempre tiveram opinião certeira, pois moda era o que eu mais gostava. Sim, gostava. Pois depois de um tempo, eu não sabia mais se comprava Vogue para ver as novas sandálias da estação ou os tipos de terno que combinariam com você. Tudo era você. Tudo meu era seu. Eu te dei tudo que tinha, e se faltou foi por limite humano. E esse limite me limitou…
Entrei em depressão. E não esse tipo de depressão passageira, que você visita um médico, ele te dopa e você passa o resto da vida sobrevivendo. Aquela depressão de sede, aonde você precisa de mudança, precisa de coisas novas, senão as madrugadas você passa acordado, chorando a procura de um jeito sutil de encontra-la.
Voltei a fumar, acho que você também não percebeu assim como o cabelo. E em uma dessas madrugadas, recolhi tudo que era meu. Quis, de modo teatral, partir sem deixar rastros, seguir apenas com as marcas e cicatrizes que você deixou em mim. Eram seis horas, e ouvi você descer as escadas com aquele seu pijama azul de listras. Tão lindo como a primeira vez em que te vi. Amor a primeira vista!
Cuidei de tudo para que o dourado da casa não se desbote mesmo que você se esqueça de manter a cor deles, tudo estava no lugar, exatamente como você gostava. Virei a tranca da porta, deixei sobre o cinzeiro meu último cigarro. A porta, a fechei. Não pude ouvir um único barulho do lado de dentro… Esperei as lágrimas e elas não vieram. Era tristeza de verdade, dessas que nem com lágrimas e com gotas que pertenciam a temperatura daqueles dias poderiam me fazer esquecer.
Ele:
Se você tivesse me amado um terço do quanto você se ama, teria sido suficiente.
Era nublado, e chovia todos os dias, mesmo que apenas chuviscos a tarde. Eram seus dias preferidos! Eu sempre gostei de sol, calor e tudo que deixasse sobre a pele aquele ardor de verão. Eramos tão opostos. Achei dentro de mim, em uma certeza masculina, que esses dias eram perfeitos para te fazer uma surpresa ou estar com você. Mas, você estava muito ocupada se amando. Indo ao salão, ligando para suas amigas e esquecendo que dentro de um cômodo, o único não dourado, estava alguém que te amava.
Quando se lembrava de mim, era pra perguntar se queria café ou qualquer alimento, como se fosse uma criança ou velho que precisa apenas de cuidados e não de sentimentos. Reparei em como você estava linda com aquele novo corte, mas, o orgulho sempre gritou em minhas entranhas e sabia, que no fundo, você não merecia nenhum elogio que viesse de mim. Reparei também que você me ajudou em alguns projetos, esses que me dediquei por querer um futuro melhor a você caso não estivesse mais por aqui. Você se exaltava e brilhava nas reuniões, e meu coração se enxia de orgulho. Percebi, pela primeira vez, que talvez você não precisasse mais de mim. E o mesmo fato que me deixou feliz, também me abalou em uma tristeza sádica.
A casa sempre esteve de acordo com as suas vontades, pois eu nunca gostei de dourado. Eu sempre te pedi para dormir até mais tarde, enquanto você insistia em me acordar, apenas para olhar o meu rosto cansado de tanta rotina e voltar para o lado e dormir, como se aquele fato não te afetasse. Sempre me escondi, dentro do mesmo cômodo não-dourado, diversas vezes para chorar e não te importunar com minhas lágrimas. Sempre aceitei sua opinião sobre minhas roupas, mesmo que nunca tivesse gostado daquela gravata vermelha tom-sobre-tom dica da CK. Tudo era você. Tudo meu era seu. Eu te dei tudo que tinha, e se faltou foi por limite humano. E esse limite me limitou…
Parei de me importar quando descobri que você voltou a fumar. Você, que mais do que todas as pessoas, sabia o quanto odiava aquele cheio de fumaça que invadia a casa e fazia questão de deitar do meu lado. Aquele cheiro me deprimia tanto, que era obrigado a tomar banho e ir dormir com meu perfume. Em sua espécie de amor próprio.
Não dormia mais as madrugadas. E em uma delas, percebi que você se levantou. Pensei em levantar também, mas, o mesmo orgulho que me segurou sobre o elogio e prendeu minha língua, também prendeu meus atos sobre a cama enquanto você juntava suas coisas. Eram seis horas, faltava apenas uma hora para acordar… Desci as escadas e fui atrás de você, em pensamentos, pois meus passos eram frios demais para pedir para alguém que ficasse comigo.
Você estava linda! O vestido vermelho combinava com a decoração da casa que não estava mais tão dourada. Tudo estava no lugar, e ao mesmo tempo tão transtornado. E quando você fechou a porta, sentei sobre as escadas para memorizar aquela cena. As lágrimas vieram e cairam sobre o chão de madeira. Combinavam com as gotas de chuva que caiam lá fora de acordo com a temperatura que você mais amava.
1:13 pm • 5 janvier 2012
Tired of myself.
Esmalte semi corroido, cinta liga, salto, perfume francês favorito. Baton vermelho, rímel, lápis sem base, nem nada. Olheiras eram marcas da personalidade. Como se o ar mais “vampiresco” fosse a prova que tinha orgulho dos seus defeitos, cada vez mais intensos.
Sozinha em sua casa em que morava sozinha. A palavra repetida várias vezes significava solidão. E ela aceitava.
Andar de um lado para o outro, arrumar o laço da cinta, olhar no espelho, trocar de sapato, pegar o telefone, colocar a música da alma daquele momento para repetir, discar, ideias vagas.
- Alô?
- Oi, é a Ná.
Teria soado “oi, te liguei só por ligar.” se a voz não tivesse transparecido tanta felicidade… E desespero!
- Saudades!
Ele disse primeiro. Sem orgulho, apenas disse.
- Também…
Em um tom infantil, tosco e tão pisciano.
- Passei no vestibular!
- MEU DEUS! QUE MARAVILHA!
- Sim, muito bom!
“Você vai ficar comigo então?”, ela quis perguntar, mas, o tom de ligação fazendo a amiga set free iria por água abaixo. O muito bom também não havia convencido… Infelizmente!
- Amanhã estou livre, me ligue para fazermos alguma coisa.
Tom leonino de alegria. “Ela lembrou de mim.”
- Vamos sim. Eu te ligo!
Secura repentina na voz. Quando o leão é grande, o desejo também o é.
- Ok, então, vou voltar a trabalhar.
- Bom trabalho, gato!
“Onde está o meio termo entre seca e dada?”
- Beijão.
Veja bem, aumentativo.
- Beijo.
Ops… Tom de peixes de novo. Totalmente irônico se espiado pela janela da sala. Cinta-liga-salto passaria fácil por alguém cheio de si, marcando (ou fazendo) safadezas via telefone.
Mas, não. Dos poucos que sabem uma mentalidade de catorze anos enterrada em uma muralha de mulherão.
Aparentemente, dinheiro, sexo, homem, sonhos grandes.
Na realidade, uma estranha, até a si mesma, buscando sentimentos através de uma ligação.
Repetindo a pergunta acima: aonde está o meio termo?
Por aí, sozinho em uma casa acompanhada.
1:47 am • 5 janvier 2012
Hold me now.
- Conte-me, como foi seu dia?
“Cara, eu tenho certeza que te conheço. Sabe? Em uma sacada, na noite. Carnaval. Natal? Talvez vidas passadas. Não sei. Não! Isso não existe. Então, seus átomos são os que me faltam. Deus te criou pra mim. Não sei! Nem quero entender. Mas, me sinto completa com você. Passar as horas com você, faz meu coração acelerar, um sorriso nervoso aparecer e eu esqueço do mundo lá fora. Tenho evitado ver suas fotos, tenho evitado falar de você, embora isso fosse te fazer feliz. Mas, tenho medo que as pessoas percebam. Sou orgulhosa, não tanto quanto você. Mas, é a única coisa em que deposito meu orgulho intenso. Não suportaria me tornar - nem por você, nem por ninguém - alguém que corre atrás dos outros e liga chorando de madrugada. Quero sempre ser essa orgulhosa que curte a noite. Aparecendo do nada, sem implorar. Só acontecer! ‘As pessoas que querem estar com você, vão te procurar.’ Então, me ligue mais vezes, me abrace, me sequestre, me faça escrever! Me peça pra mudar, tenha ciúmes de mim. Mas, me traia. Não, não me traia! Apenas sorria e pergunte como foi meu dia. Congele-me agora!”
- Meu dia foi normal. Nem fiz nada demais, gato! E você?
1:27 am • 5 janvier 2012
Para ler e não entender.
Sabe, babe? Estou tão alérgica a humanos, que o exagero me exagera. O que faz de mim um exagero de complexidade. Como queria saber química e balancear sentimentos. Mas, não! Sempre fui física. Impulso! Aceleração! Pólos se atraindo e repelindo! Sou tão exagerada quanto o exagero que me enoja. E isso não é exagero. Não sei amar pelo meio termo, mas, amor demais me sufoca. Frieza demais me afasta. Liberdade demais me assusta. Pressão demais me estressa… Eu só queria me entender. Estar no lugar certo, na hora certa. Com a pessoa errada. Com a pessoa certa fazendo coisas erradas. Sabe a perfeição que os virginianos buscam? Eu não busco, realmente. Quero ter uma vida imperfeita de tanta alegria. Quero cometer mais atos grotescos com as pessoas que se importam comigo. Quero me preocupar com as pessoas que me ignoram. Quero conhecer o segredo de cada uma delas. E dormir muitas noites chorando e acordar sorrindo. Pensando bem, a única coisa que não quero é me entender. Pois é esse sadomasoquismo que pratico sexualmente com as pessoas que pratico também com meu coração. Minha vida e meus sentimentos me trazem muitos orgasmos. Vamos sofrer mais um pouco?
1:18 am • 5 janvier 2012
Boa noite, Fera.
Oi. Estou escrevendo só pra dizer que sinto sua falta. É inimaginável dizer que sente-se a falta de alguém com quem mal se esteve por perto. Mas, por tantas palavras guardadas, eu nem sei mais o que é normal, anormal, surreal, real. Sei que existo eu e existe você. Não como eu queria, ou como tinha que ser… Lembro-me da primeira vez que te vi, porque sonhei com você naquela noite. Lembro-me da colisão que houve dentro do meu sonho quando seu olhar se encontrou com o meu. No outro dia, descobri que seus olhos eram verdes. Durante muito tempo, a espera de um fato concreto, eu imaginei e tive a certeza da incerteza que você seria aquela pessoa que bagunçaria a minha vida. Depois do fato concreto, minha vida se bagunçou por algumas horas. Não foram dias, nem meses, muito menos as madrugadas que passei acordada foram notadas. Percebi que você já me percebeu. Eu uso cores mais vivas, arrisco assuntos mais virginianos, demoro em nossos abraços e tento te entender… Em vão, é claro. Tentando-te entender é aonde me perco ainda mais. Porque hoje, falando de outros amores, reparei numa possível demonstração de ciúmes. Na verdade, alimento da minha memória. Prefiro não lembrar o modo natural, poderia ser e havia me olhado no espelho algumas horas antes e desejado o contrário. É incrível como tento ser racional e me torno tão emotiva e sentimental. Honestamente, eu só toquei naquele assunto para analisar uma reação sua. Sei que nos deixaram sozinhos depois e você nada fez. Poderia ser uma vingança contida, ou apenas sinceridade de gesto. “Oi, você é apenas uma boa pessoa.” A intenção daquela hora, obscurecida pela lua amarela ficou apenas em vontade. Se tivesse a mesma oportunidade, talvez fizesse diferente. Ou não, não me arriscaria mais. Ando me arriscando tanto que tenho vontade de me arriscar mais em atos racionais. Penso em autodestruição, deixar a vida seguir, para de pensar ou de entender. Já pensei até em segredo, aonde se você apareceu para mim em sonhos, significa que algum sentido na minha vida você traria. Por mais burradas que faça, ou caminhos que tente seguir e não sejam iguais aos seus. Na busca de todos os caminhos, eu penso naquela trilha aonde nos encontraremos de novo. Se for possível… Será possível. Ninguém invade o subconsciente de alguém e deixa uma marca vazia. Uma marca vazia nunca esteve presente. Apenas essa angustia, essa vontade de te ligar, de chorar mais uma vez e dizer que faria tudo de novo e de novo.
6:14 am • 28 décembre 2011